Duas ou Três Coisas Que eu Sei Dela (1967)
País: França, 87 minutos
Titulo Original: 2 ou 3 choses que je sais d'elle
Diretor(s): Jean-Luc Godard
Gênero(s): Comédia, Drama
Legendas: Português,Inglês, Espanhol
Tipo de Mídia: Cópia Digital
Tela: 16:9 Widescreen
Resolução: 1280 x 720, 1920 x 1080










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INDICAÇÕES
Venezia Classici Award for Best Restored Film
Sinopse: No entanto, a musa de Godard não é propriamente Juliette, mas Paris sob as medidas capitalistas do governo, priorizando a burguesia ao invés de atender às necessidades de sua maioria de 8 milhões de habitantes. Juliette é uma metáfora, uma representação da cidade, tal como da sociedade, prostituindo-se aos interesses pueris do capitalismo. Uma das falas da personagem expressa bem o estado de espírito político da França, segundo o diretor: “Para me descrever, apenas uma palavra: indiferença.”
Entrelaçados a um dia comum na vida de Juliette, momentos em que os personagens fazem comentários à parte, dão suas impressões e depoimentos e agem como se estivessem sendo entrevistados. Política, sexo, lingüística, economia e tecnologia são alguns dos assuntos expostos. Cenas barulhentas de construções são tomadas por silêncios súbitos, introduzindo sussuros de Godard, ora divagando, ora citando Wittgenstein, criticando, filosofando, recitando. Em um desses momentos de reflexão, Godard nos presenteia com a antológica cena da xícara de café reproduzindo a galáxia.
A Guerra do Vietnã, que se estendeu por pouco mais de uma década e meia, ainda supitava no período das gravações do filme. Godard constantemente toca no assunto e critica aberta e duramente a política de Johnson e a participação dos Estados Unidos, que durou entre os anos de 1965 e 1973. No entanto, seu anti-americanismo não se limita à guerra, o diretor usa no filme frases como: “pax americana: lobotomia colossal”, diz ainda que os EUA pisavam sobre os asiáticos e os sul-americanos, dentre outras coisas.
A construção do longa-metragem através de um encaixe de imagens que ilustrasse as falas foi primordial. A fotografia colorida em Eastmancolor de Raoul Coutard está entre os pontos altos do filme. Ao assistir as obras de Godard, o espectador é impelido à despender esforços de raciocínio lógico e também de pensamento crítico. É como se fôssemos arremessados do comodismo mental.
Ao mesmo tempo em que critica de forma ferrenha o capitalismo, Godard usa também a sátira para atacar. Seja com frases irônicas ou através de um personagem americano que ostenta com orgulho uma camiseta com a bandeira de seu país estampada, enquanto compra algumas horas de prazer com as prostitutas francesas. É através desse tom humorístico que o diretor busca fortalecer seu discurso político, que passou a dominar cada vez mais sua obra. Em 1967 Godard se desfez de vez do jeito comum de fazer cinema, para usar a câmera a fim de discursar e idear.
Elenco: